Tuesday, February 25, 2014

YOU DO THE MATH.



A British Vogue de Fevereiro convidou cinco mulheres - Daisy Lowe, modelo e actriz, Vita Lambine, mãe e esposa, Blanche Vaughan, food writer, Karen Ellis, directora criativa na área da publicidade e Sarah Hiscox, artista - a fazerem um inventário ao que compraram na estação passada. Materializado sob a forma de uma tabela - na coluna da esquerda, os items comprados; à direita, as vezes que foram usados - o inventário permite tirar algumas conclusões rápidas: há peças que foram usadas até à exaustão (a peça mais usada por Vita Lambina foi um anel Repossi); há peças que nunca foram usadas ou usadas uma única vez.

O exercício pode ser facilmente adaptado no nosso quotidiano. Vem-me à memória a minha última compra, os jeans boyfriend Acne Studios. Comprados há um mês em Estocolmo, foram usados em quatro ocasiões distintas, tanto de dia, como de noite. Para uns jeans cujo price tag ascende aos três dígitos será pouco? Talvez, mas há que considerar o facto de planear usá-los na próxima estação e na outra e na outra. Há igualmente os pumps Stella McCartney, usados não mais do que cinco vezes desde a sua compra em Setembro, um vestido em malha Zara usado duas míseras vezes e comprado com a desculpa de que precisava de algo novo para passear por Londres; a saia com a tal da risca diplomática, tendência da estação, que nunca me convenceu totalmente e que agora reconheço que não deveria ter comprado, ou ainda a saia em pele Zara que usei uma única vez, comprada por estar a um preço muito razoável para uma peça em pele. Em contrapartida, os jeans rasgados, o sobretudo navy e os pumps cinza Zara foram usados até à exaustão, assim como a camisola em lã merino Cos.

Lições a retirar do meu pequeno inventário? Quando me afastei da minha lógica ponderada de compras, falhei miseravelmente. Não coloco os pumps Stella McCartney no mesmo bolo do que algumas das peças que enumerei porque, ainda que usados em raras ocasiões, são um investimento emocional, que namorei durante um ano e que consegui comprar por um preço amigo. Acredito que não podemos ser fundamentalistas e cair no erro de comprar apenas o que vamos usar todos os dias, como também não devemos comprar só porque sim. Defendo que devemos permitir-nos a ter uma ou outra peça especial, esteja ela na nossa wishlist durante meses - os pumps cinza apareceram no LX na wishlist de Setembro e foram comprados já Dezembro ia a meio - ou que fuja da nossa estética habitual. Como em tudo na vida, recomenda-se moderação, mas longe de fundamentalismos e lugares-comuns.


15 comments:

  1. Excelente post.
    Este é, aliás, um dos meus temas favoritos por aqui (a par com o 5 Piece French Wardrobe no After DRK - tenho-me questionado se esse é um exercício razoável ou extremo...).
    Ultimamente tenho-me debatido com as compras e com uma espécie de crise estética pessoal. (Será? Ou será excesso de informação?)
    Às vezes é difícil para mim discernir se gosto mesmo - e me traduz, de certa forma - ou se gosto porque vi em alguém e adorei.
    Não acerto sempre, infelizmente, mas, segundo os meus próprios registos dos últimos anos, creio ter evoluído. Quero crer, pelo menos.

    Boa semana e muita inspiração!*

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    1. Obrigada pelo comentário, Carmen.
      Acho o 5 Piece French Wardrobe um desafio bastante interessante, embora tenha dúvidas sobre o que a Sabrina considera básicos.
      Quanto à crise estética pessoal, por aqui passa-se o mesmo e concordo que o problema seja o excesso de informação. Hoje somos bombardeados com imagens por todo o lado e é muito difícil manter alguma distância e discernimento.
      Sinto e acredito que se note pelo LX que o meu sentido estético tem mudado nos últimos tempos, mas se perguntares se sinto que encontrei o meu estilo? Nem por isso. Acho que é um processo.

      Beijinhos e uma vez mais obrigada pelo comentário.

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  2. Adorei este post.
    Em relação a esta questão também penso que nem 8 nem 80 como se costuma dizer. Devemos ponderar o que compramos (vamos realmente usar? fica-me bem? vou poder combinar isto com o que já tenho? faz-me mesmo falta?) mas também acho que nos podemos e devemos dar ao luxo de uma extravagância (sem analisar demasiado) de vez em quando :)
    Ultimamente o meu estilo e sentido estético também tem mudado imenso, acabamos sempre por ser influenciados pelo que vemos e por vezes podemos cometer alguns erros. Mas também é a errar que vamos aprendendo :)

    beijinhos *

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    1. É verdade, Filipa. Os erros fazem parte do processo. Há dias em que acertamos muito, outros em que erramos feio. Mas é como digo no post, acho que não podemos ser demasiado fundamentalistas e analisar em excesso.
      Obrigada pelo comentário. :)

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  3. Sabes que vou roubar a ideia, com os devidos créditos, para o meu Consumo em Crise, né? ahahahah Excelente post!

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  4. Que bom exercício :) acho melhor não o fazer lolol

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  5. Óptimo exercício!!! Excelente escrita! Parabéns

    P.S: É óbvio que os Acne boyfriend jeans foram uma óptima compra para sempre!!

    We Agree to Disagree
    ***

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    1. Obrigada! Esperemos que sim. Para já, acho que sim.

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  6. Fantástico por isto é que não há blogue que tenha tanto prazer em ler!

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    1. Oh! Muito obrigada. Pelo menos agora há post novo para ler todos os dias! E confesso que esta coisa de bloggar me está novamente a dar gozo.
      Beijinhos e mais uma vez obrigada.

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  7. Eu também li esse artigo - as compras da Mrs Vita Lambine escandalizaram-me, tanto dinheiro e tão pouco uso! Ainda não tive coragem de analisar o meu armário, tenho medo do que vou descobrir :)

    Beijinhos,
    Mariana do http://fashionforelephants.blogspot.co.uk

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    1. As compras da Mrs Vita Lambine é só Prada, Stella McCartney e cia. Um dia chegamos lá!
      Beijinhos

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  8. Artigo interessantíssimo e que faz pensar.
    Eu cá sou muito ponderada com o que compro - ao ponto de muitas vezes perder peças que queria muito por pensar demais - e também penso 2, 3 ou 4 vezes com os patrocínios também. Gosto de ponderar se vou usar ou não determinada peça vezes suficientes para a colocar no meu armário.
    Neste momento estou num processo mental/físico de purgação do meu guarda-fatos. Tenho demasiada coisa, muita da qual mal viu a luz do dia, e o caos é inimigo do effortless. A lição deste teu post com certeza me ajudará na limpeza.

    Como tudo, há que ter peso, conta e medida.

    beijinhos, Nádia
    My Fashion Insider

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