Wednesday, September 21, 2011

UP FOR DISCUSSION.

The Row €3,160 @ Net-a-Porter.


Sempre fui relutante no que toca a celebrities turned designers. É um conceito que me causa estranheza, sobretudo quando há um manifesto desfasamento - gosh, I love this word - entre a celebrity em questão e a Moda. É o caso das linhas de sapatos das famigeradas Paris Hilton e Jessica Simpson - que, aparentemente, não é capaz de distinguir atum de frango - ou da House of Déreon da mom-to-be Beyonce e da progenitora - a irmã Solange, o único membro da família com algum sentido de estilo, recusou-se a integrar o projecto.

Claro que nem sempre esta não-coincidência é verificável. A The Row das irmãs Olsen é disso exemplo. A linha da Victoria Beckham, apesar de muito inspired nas colecções de Roland Mouret - consta-se que tem o seu dedo - também. Não sejamos ingénuos. O papel destas celebridades tem mais de nome do que trabalho criativo. Mas há que juntar a este fenómeno, em franca expansão desde os anos 2000, a variável aspiracional. E as celebridades têm esse efeito em nós, quer admiremos o seu mais recente outfit, quer admiremos os valores pelos quais se regem.

As celebridades possuem hoje um ascendente sobre o mundo da Moda que outrora não lhes era reconhecido. Existiam as musas - Catherine Deneuve é disso exemplo - mas não era frequente vê-las na capa do september issue da Vogue. E, se a ideia das celebrities turned designers que causa um certo preconceito, ver uma actriz na capa de uma revista de Moda, é  uma realidade à qual não me consigo habituar. 

Tudo isto - e o assunto dava um tema interessante para um artigo - para deixar-vos com uma pergunta. A marca tem um valor, isso é inequívoco. Uma Kelly saída das mãos dos artesãos da über expensive Hermès tem um valor de mercado e peso simbólico bastante superior ao desta mochila The Row ou de qualquer outra mala. É aceitável que uma marca como a The Row comercialize malas com um preço superior a tantas outras marcas com décadas de história e prestígio? O que faz uma mala The Row ter um preço de mercado de três mil euros?

17 comments:

  1. Já que pegas neste assunto, o que dizes do Kanye West na semana da moda parisiense? :)

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  2. @Ana Rita Sou uma grande fã do Kanye West, mas a minha opinião não é influenciada por isso. Seguindo a lógica do post, encaixo o Kanye no tipo de celebridades que tem uma perspectiva sobre Moda, por isso não me causa estranheza. Causa-me mais estranheza ver a Blake Lively na primeira fila da Chanel do que o Kanye na primeira fila da Givenchy.

    Ele é muito "visual", isso nota-se até nas capas dos álbuns. E tem feito colaborações interessantes. Os ténis para a Louis Vuitton são de morrer!

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  3. Porquê a estranheza relativamente a veres a Blake Lively na primeira fila da Chanel?
    E já agora, sei que não gostas da Chiara Ferragni... why? Curiosidade!! :P

    Bjs******
    Maria

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  4. É um tema complicado, acho que depende de como vão ser os resultados das gémeas em termos de vendas. Uma marca sem história como a delas é apenas sustentada pela imagem fashionista das Olsen, Resta saber se a imagem delas vale tanto quanto a história de algumas marcas.
    Num mundo de celebridades como actual, apesar da crise acredito que elas consigam fazer sucesso.
    Será merecido? Se com o trabalho e exposição constante a que estão obrigadas conseguirem alcançar as mesma metas que as marcas mais reconhecidas não lhes posso tirar o mérito.
    Compraria eu uma mala da The Row em vez de uma Hermes? Não sei.

    Apesar de tudo vejo-me mais facilmente no dia-a-dia com a mala da imagem acima do que com uma Kelly, talvez por um aspecto prático, pela idade ou porque simplesmente faço parte do mundo de hoje em dia.

    (dito isto se puder comprar uma Hermes um dia não hesito de certeza, mas existem outras marcas mais acessíveis que para mim são igualmente apetecíveis)!

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  5. @at beleza Empreguei o exemplo da Hermès para fazer o contraponto no que concerne ao simbolismo de uma marca para a outra. Por exemplo, gosto imenso desta mala The Row, como gosto de uma da Victoria Beckham. O que me inquieta é o lugar que as celebridades e a sua aproximação ao mundo da Moda. :)

    @Anonymous Olá Maria! Em primeiro lugar, obrigada pelo teu comentário.

    Já falei sobre a presença da Blake na primeira fila da Chanel e a campanha que ela fez para a marca há uns meses atrás. Olho para a Blake como uma bombshell, mais próxima da imagem de uma "Versace girl". Quando olho para ela, no dia-a-dia ou numa passadeira vermelha, não vejo MODA e, acima de tudo, não vejo alguém próximo dos valores e da imagem da maison Chanel. Mas gosto bastante de a ver no Gossip Girl :)

    Sobre a Chiara... Acho a Chiara inteligente no modo como ela tornou o seu blogue num negócio bastante rentável, embora não partilhe dessa visão. O que não me atrai na Chiara é o seu estilo, uma vez que não me identifico minimamente. Ela tem um estilo muito italiano, carregado de logos, muito «flashy» (pelo menos, foi o que encontrei nas miúdas da minha idade quando lá fui) e não sou particularmente das combinações que faz. Gosto de pessoas que conseguem transformar uma peça singela em algo sofisticado e acho que nela até uma Kelly se torna vulgar!

    Beijinhos

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  6. Exclusividade é sinónimo de luxo nos dias de hoje. E isso só se consegue com algo completamente novo (como o design desta mochila) e caro (três mil euros é uma pipa de massa). Acredita que este mix vai transformar esta mochila em algo aspiracional... se calhar não para as massas que continuam a preferir Hermes ou Chanel... mas para quem já tem Hermes e Chanel. Para mim estas marcas já perderam parte do atractivo aspiracional que tinham. Tenho uma Chanel 2.55 há uns anos e sinceramente dá-se muito menos valor às coisas quando as temos do que quando as desejamos. Passamos a querer outras coisas, a desejar outras coisas. E a novidade e a exclusividade são muito sexys.

    Quando leio entrevistas dos designers mais bem sucedidos da actualidade (no BOF) eles todos dizem que o mais importante para ter sucesso é controlar a produção (preferem Europa à China) e o price point. Isso tem-se visto muito nos sapatos... onde alguns nomes têm revolucionado e já destronaram o Louboutin que quando perder a exclusividade da sola encarnada (está em tribunal com a YSL) vai deixar de poder pedir o que pede por sapatos banalíssimos...

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  7. @Feiticeira A minha questão nem é a exclusividade, porque uma mala The Row a 3 mil euros acarreta isso mesmo. Primeiro, por factores óbvios (o preço), depois porque The Row é uma marca que não é mainstream, ou seja, quem compra, compra esse lado cool.

    O que me incomoda é o facto das celebridades estarem a conquistar um espaço que para mim, quiçá demasiado oldschool, não é legítimo.

    Quanto ao processo YSL/Louboutin, a YSL venceu! YEAH! Com todo o mérito, digo eu.

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  8. Concordo que o preço é abusivo... mesmo muito, but hey, só compra quem quer!

    Existem por aí mesmo muitas celebridades que dão nome a marcas... e na minha opinião contam-se pelos dedos de uma só mão aquelas que foram bem sucedidas, no sentido da qualidade,bom gosto, claro. E penso sinceramente que The Row tem excelentes peças, a um preço bastante elevado, o que é uma pena! Eu compraria...

    Beijinho,

    Sara

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  9. Sem dúvida um tema muito interessante para discussão. Não sou pessoa de ficar a ver os desfiles e ao ler o teu post só agora é que fiquei a saber isso da Victoria.Também não penso que eles fazem e criam tudo,mas que pelo menos um dedo na criação têm.Isto é tudo um jogo de interesses as celebridades alcançam um público maior.Por exemplo um fã pode não interessar-se pelo "fashion world",mas como gosta dessa celebridade segue os seus passos e há aqueles que compram os itens da marca (pela qual a celebridade dá o nome).Há umas que têm talento para a coisa,outras que não fazem lá nada,mas trazem $$$ para as marcas.E por mais prestígio que as marcas tenham é o $ que os investidores querem ver.

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  10. De todo!! Não acho nada, nada bem as marcas de celebridades com preços ao género das casas mais conceituadas, que muito trabalharam, e durante anos e anos, para chegar ao estatuto - de excelência - que têm. As marcas das celebridades são conhecidas porque são de quem são. E digamos que, muitas vezes, enfim... deixam muito a desejar. O exemplo da marca da Beyoncé é perfeito (as outras marcas nem conheço)...

    Por falar nisso, quando li "House of" até fiquei assustada. Já te ia bater...lol isto porque me lembrei das marcas da Nicole Richie (House of Harlow e Winter Kate). Como sabes eu adoro porque adoro o estilo, tem tudo a ver comigo. Mas acho que os pontos positivos não se ficam pelas coisas que ela produz - que, lá está, se enquadram dentro do estilo dela (e do meu) e não pretendem ser coisas de alta costura. As peças mais caras não chegam a 300€. Não acho que seja exageradamente caro. Se calhar, pelo mesmo preço, como a coisa anda vou à Zara e gasto o mesmo... a Nicole NÃO É designer. É - provavelmente porque é celebridade - mas não no mesmo sentido que o Karl (trato-os pelo primeiro nome... amiguinhos!lol) é.

    Gostei imenso do post! Já tinha pensado sobre isso... you're the best!

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  11. Nao é mais se nao marketing! Uma marca nova para se posicionar no mercado ou aposta em preços competitivos em relaçao ás restantes marcas existentes, ou marca uma posiçao! Por tras de todo o allure que ronda as manas cabeçudas, ha que chegar e dizer " se nos apresentarmos como a marca mais cara, vamos dizer que somos a melhor"! E em tempos de crise e de baixa de consumo, quem continua a comprar sao aqueles que continuam a ter dinheiro e a nao olhar aos preços. E essa minoria de pessoas, quer o que se intitula como "o melhor" (mesmo que na verdade a relaçao qualidade preço n se justifique) e quer aquilo que pouca gente pode ter.

    É verdade que tem malas lindas, mas jamais daria 3 mil euros por essa mala, agora por outras marcas com as quais me identifico mais, a historia já é outra...

    (desculpa a falta de acentos, portatil americano e ainda estou a aprender onde andam as coisas lol)

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  12. Óptimo post! Partilho da tua opinião e não, não acho normal que esta mala custe 3 mil euros. As irmãs Olsen têm um estilo que gosto muito e a colecção de roupa também é muito gira. Mas mil vezes uma Kelly ou uma 2.55. Por melhor que seja o material, o design ou a confecção este preço é um exagero.

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  13. @Ana Exacto. Foste ao cerne da minha questão! You rock!

    @Sneakerlicious O posicionamento da The Row não podia ser mais inteligente. E isso é claramente Marketing, e bem feito. Kudos para elas.

    Tenho uma visão demasiado erudita da Moda. Para mim, a Moda é feita de designers, modelos e por aí adiante. Ver uma celebridade a ocupar o estatuto de um designer parte-me o coração! LOL

    @Mica Obrigada! Diz-se que as malas da V. Beckham têm um processo de fabrico inspirado na Hermès, até aceito o argumento da qualidade. Agora isto altera as regras do jogo. Como diz o meu pai: "Quem é a Victoria Beckham?" LOL

    Beijinhos a todas.

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  14. Kátia, a pergunta que fechou o post é mesmo ótimo para discussão. Na minha opinião não se justifica uma mala de uma marca que pouca história tem e não sendo icónica como a Hermès ter esse preço!! Muitas vezes o que nos leva a comprar não é apenas o design mas (sobretudo) a história :-) bjo**

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  15. para mim nenhuma marca compensa esses valores! Não sou rica nem milionária mas mesmo que fosse penso que não conseguiria dar esse valor! É linda e eu adoraria ter uma assim mas teria de ser oferecida ;)

    http://paginaaolado.blogspot.com

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  16. hi there

    um tipo e um post de malas. OK, vamos lá embora, que nós também temos opinião. Bem, eu acho que há malas e malas. Umas, quer pelo peso que têm, o simbolismos que têm serão sempre as malas. As outras, designer/celebridades made bags até podem ser muito boas, e acredito que o sejam, mas o seu preço deriva em 60% da celebridade em si. Assim de uma perspectiva meio estranha, será quase uma luta desigual, ou seja de uma lado temos uma malda (icónica, é certo) contra uma outra mala (que é boa e bonita) mais a celebridade que a cria.

    Quanto à tua "inquietação" de a Blake estar na front row da Chanel. E, eu que gosto de ver a Blake na passadeira, em produções, na televisão, tenho de dar a mão à palmatória. eu acho que ela é fantástica, belíssima, simples, sem grandes artefactos mas... porque é isso mesmo, uma bombshell.

    Mas, isso é a minha opinião.

    Mais uma vez, depois de alguns outros comentários por aí, parabéns pelo post. muito bom construído.

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  17. chateia me vender-se porque é de um nome conhecido. não me chateava que se vendesse a 3000 (é porque o têm, o dinheiro) com o nome do verdadeiro designer. aí sim é me igualinho ao litro.

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